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June 17th 2013 Comunicação dos Professores Semana de Acção 2013

National News from Mozambique by Movimento de Educação Para Todos

Organização Nacional dos Professores

ONP/SNPM

Secretariado Nacional Executivo

         

Sua Excelência Vice Ministro da Educação

Exmo Senhor Presidente do MEPT

Exmo Senhor Representante da UNESCO

Exmo senhor representante dos Parceiros de Cooperação

Caros professores

Minhas Senhoras, meu Senhores!

Foi com profunda alegria que nós os professores soubemos que este ano, a Semana de Acção Global de Educação, está virada para o professor, afinal, ele, é uma peça fundamental, senão, indispensável quando se fala da Educação. Pelo facto, queremos antes de mais nada, agradecer ao MEPT, Movimento de Educação Para Todos, que a nível de Moçambique promove a campanha.

O Movimento de Educação Para Todos (MEPT) em parceria com a Organização Nacional dos Professores (ONP), juntamente com outras Organizações da Sociedade Civil tem levado a efeito, acções de advocacia pelo Direito à Educação para todos.

Nós, os professores acolhemos a tarefa e responsabilidade de contribuir para a Promoção de uma Educação de Qualidade para Todos, respondendo aos, Plano de Acção Para Redução da Pobreza, Plano Estratégico de Educação, Acordos de Dakar e a Declaração dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio com vista a contribuir para a redução da pobreza rumo ao desenvolvimento político, social e económico do país.

No entanto, constatamos que os compromissos emanados nestes instrumentos não poderão ser alcançados enquanto não se criarem condições decentes para o trabalho dos professores. Assim manifestamos o nosso profundo descontentamento relativamente às precárias condições de trabalho em que se encontram os professores aqui no nosso país, de um modo geral.

A presente edição da semana de Acção Global de Educação está virada para os mais novos, tendo como lema: "Cada Criança Precisa de Um Professor". Este lema não surge por acaso, olhando para a situação em que as nossas crianças estudam, é de lamentar. Afinal, são alunos que estudam debaixo das árvores, ao relento, dentro de salas de aula sem carteiras, enfim, crianças que estudam em condições que em nada abonam uma Boa Qualidade de Educação que apregoamos.

Excelências

Os professores trabalham em condições precárias, assim sendo, como se pode manifestar o desejo de uma qualidade de ensino e uma boa prestação do professor se a este não são sequer garantidas, as mínimas condições de trabalho, mesmo sabendo que ele assume um papel chave neste processo.

Não só as condições mínimas para o professor que não existem, como também há outros problemas que sobremaneira podem pôr em causa o processo de ensino e aprendizagem, qualidade de ensino e o trabalho do professor, dentre os quais destacamos:

Turmas numerosas. O rácio professor/aluno ainda continua muito elevado em quase todo o país, havendo turmas onde um professor está para 100 alunos. Esta é uma realidade patente e visível em muitas escolas do país, especialmente no ensino primário e secundário.

Perante, esta dura e triste realidade, de que maneira é que nós os professores vamos avaliar o desempenho dos alunos? Será que esta realidade não vem minar a qualidade de ensino no país? Será que o nosso país está preparado para lidar com turmas superlotadas a estes níveis?

Excelências, não queremos turmas numerosas, atribuam-nos o máximo de 50 alunos por turma.

Relativamente as condições das infra-estruturas e mobiliário escolar, são penosa e lastimáveis as condições a que os professores estão sujeitos, os professores não raras vezes vêem-se na obrigação de ficarem todo o tempo de pé, sem uma secretária para pôr o seu material de trabalho.

 

Minhas senhoras, meus senhores, são vários os problemas que enfermam o trabalho dos professores, não ser-nos-ia possível, trazê-los todos aqui.

 

Mas não terminaríamos a nossa intervenção sem tocar nos seguintes pontos:

 

  • Verificam-se atrasos no pagamento dos professores recém-contratados. São muitos os casos de professores que à escala nacional reclamam o pagamento de seus salários e subsídios de horas extras.
  • Os professores clamam pela inalação do pó de giz, que é nocivo à saúde.
  • Se formos para algumas zonas mais recônditas do país, onde está lá o professor para leccionar, verificamos casos, em que os professores por estarem a longas distâncias de uma Caixa de Pagamento Automático (ATM), sentem-se na obrigação de entregar aos seus colegas cartões de crédito e respectivos PIN´s, para que estes possam levantar o seu magro salário. Será que temos que aceitar esta dura realidade?

 

A Terminar, reiteramos que a construção genuína deste Moçambique, valorização do trabalho docente e qualidade de ensino, só podem ser alcançados se efectivamente os problemas por que passam os professores forem sanados ou minimizados.

 

“ Se pode ler esta mensagem, agradeça ao professor!”

 

Obrigado pela atenção

 

Maputo, aos 19 de Abril de 2013